Foi em um dia chuvoso de julho que fui à Cidade das Telas para trazer à realidade as cenas que apenas passavam em minha mente. A leitura de um livro me faz viajar, e muitas vezes a sua adaptação cinematográfica me leva de volta para onde eu saí. Do zero. Como se nada tivesse lido. E a cada entrada no cinema é uma nova expectativa. Ora frustrada, outrora até que suprida. “Sala 8, final do corredor à direita”, era ali que eu descobriria se o meu livro preferido se tornaria em verdadeiras imagens reais.
John Green já tinha me cativado nas páginas, agora faltava nas telas. Na cidade dessas, eu fui desbravar as ruas da Cidade de Margot e Quentin. O dia de estreia, as fileiras do meio, visão exclusiva e cativa para presenciar cenas de aventura, ação e de um leve romance, assim como a história literária. Pipoca e refrigerante, ok. Ser surpreendida - missão falha. A cada pipoca colocada na boca era uma frase de indignação soltada. “Não, mas no livro eles não fazem assim”.
Conseguiram trazer uma boa representação da história, mas cadê as características físicas descritas de Quentin? As loucuras da mãe do Ben? Eu só senti um retrato original da história quando mostram a coleção de papais noéis negros dos pais de Radar e o xixi feito por Ben dentro do carro e na latinha de refrigerante.
Não, nas minhas páginas Quentin não encontrava Margot. Para os amantes de histórias clichês, o final do filme foi lindo, mas quem teve o gozo das páginas de Green se sentiram muito pouco representados.
Peguei o saco de pipoca que foi devorado, joguei no lixo e me senti como nos dias anteriores de quando ganhei o livro. Sem saber como verdadeiramente era aquela história. Continuava um dia chuvoso.
Realmente, a cidade deveria ter ficado apenas no papel.
Filme "Cidades de Papel" - Adaptação do livro escrito por John Green.
