Adaptações cinematográficas para histórias originárias de livros acontecem há algumas décadas e não têm nem perspectiva de serem encerradas. Diante de novas produções, que podem ou não ser fiéis à narrativa que antes pertencia às páginas impressas, também há espaço para discutir o que, pela falta de espaço ou engajamento, deveria ter sido questionado há diversos anos.
Na edição deste bimestre, o Nota de Rodapé mais uma vez abre mão da admiração por livros, sagas e histórias para pensar as adaptações de nossos personagens preferidos para as telas de cinemas ou streamings. Seguimos admirando a novidade, mas sempre pensando nas adaptações de forma crítica.
No esperado artigo de opinião, esta edição do Nota de Rodapé discute Os quilos que Tiffy, de Teto para Dois, perdeu para entrar na tela da Paramount+. Pensar porque um streaming pouco aclamado decidiu tirar uma das principais características da protagonista de um romance clichê, em um momento que poderiam trazer um conteúdo de qualidade, e fiel, para sua plataforma.
Para a resenha, Nota de Rodapé resgata o best-seller Jogos Vorazes (2008) dez anos após seu lançamento nos cinemas, em 2012. A discussão sobre a hipocrisia entre elencar o filme sobre a história de distopia de Panem como a melhor adaptação de livros para os cinemas enquanto a cor de pele da personagem principal foi mudada. Seja qual for o motivo da mudança, em 2012 as discussões sobre racismo não se encontravam onde se encontram atualmente. Podemos usar o excepcional trabalho de Jennifer Lawrence como argumento para permitir que novas adaptações também mudem a raça de um personagem, desta vez, para pessoas negras?
E como não só de militância se vive, compartilhamos a nossa mais real e decepcionante experiência com a adaptação da Lara Jean de “Para todos os garotos que já amei”. Como a história original, entregamos uma carta, mas dessa vez, ao filme adaptado - e completamente transformado.
Bem vindo, mais uma vez, ao site em que criticamos o que mais amamos. Nota de Rodapé te aguarda para o pensamento crítico do nosso entretenimento diário.