Com o brigadeiro e a pipoca a postos, foi possível escutar o “tudum” da Netflix para mais um romance que, pela sinopse, era mais um clichê de adolescentes americanos, o oposto das páginas de Jenny Han. Na verdade, não o completo oposto, mas o completo omisso. Li uma sinopse que já passou a omitir a verdadeira mensagem que a criadora da história realmente queria passar. Escutei a abertura da plataforma uma, duas, três vezes, assim como abri as páginas do primeiro, segundo e terceiro livro da sequência de “Para todos os garotos que já amei”.
Uma história de família que estava prestes a virar “apenas” uma história de amor. Jenny Han escreveu páginas e mais páginas de uma trilogia que retrata a vida de Lara Jean, a amizade linda que ela tem com as irmãs e o relacionamento invejável que ela tem com o seu pai. Foi no mesmo sofá que eu li toda essa história que eu estava prestes a assistir ela tendo a sua essência omitida. A cada cena passada era indignação e a fala de “cadê a profundidade que o livro me trouxe?”, “porque isso só está mostrando a Lara e o Peter?”.
A intenção foi boa, já que toda mulher em seus dias de TPM procura os filmes mais melosos que existem para assistir. Mas esqueceram do principal, esqueceram que os livros não se tratam apenas das cinco cartas de amor escritas pela LJ, não é uma sequência de fatos focando apenas nela e na sua relação com o Kavinsky. Eu dava pause, pagava o livro, via o que faltava e ficava ainda mais indignada. Eu esperava mais. Muito mais que uma Lara apaixonada.
Não, nas minhas páginas a Lara Jean não só vivia histórias de amor. Nas minhas páginas ela amadureceu, aprendia a ser mulher, mostrava a força de uma mulher e que não é tão frágil como foi retratada nas telas. Nas minhas páginas o John Ambrose McClaren era um garoto branco e de olhos azuis, e não um rapazinho de olhos escuros e cabelos castanhos (com todo o respeito).
Conseguiram deixar a LJ com o Peter Kavinsky, mas não conseguiram me deixar com a mente flutuante assim como Jenny Han deixou. Assisti os três filmes no mesmo dia. Mas no mesmo dia, eu não assisti os três livros.
Desliguei a televisão e desisti do “tudum”, já que o barulho das páginas virando me faziam vibrar mais do que a trilha sonora dos segundos passando.
Essa é minha carta para todos os filmes que já assisti, mas não me surpreendi, já que todos sempre tem o mesmo início, meio e fim.
Trilogia de "Para todos os Garotos que já Amei" - Adaptação do livro escrito por Jenny Han.
