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Mostrando postagens de setembro, 2022

A nota das notas - Editorial

A nota de rodapé usualmente serve para explicar melhor algum termo do texto que estamos lendo. Mas quando o texto em si é apresentado em formato audiovisual, como ler o que não aparece em tela?  A resposta para isso surge no formato de blog. Muito mais do que alguns tweets soltos na internet, como jornalistas, nós precisávamos dar voz a nossas próprias impressões sem nenhum limite de caracteres. E além disso, sem as barreiras que o jornalismo costuma criar ao pedir objetividade em cada matéria.  O jornalismo de entretenimento por si só tende a opinião, porque como escrever uma resenha sem de fato analisar o que me agrada em um filme? Aderir aos nossos gostos e desgostos foi nossa tarefa nesse blog, e para isso, começamos com o que nos cativou primeiro: a literatura.  Jornalistas são devoradores de livros, mas cá entre nós, nossas melhores escolhas não são consideradas tão cultas e eruditas assim. Depois de um certo preconceito literário, elas ganharam as telas e mai...

Porque a aristocracia não tão branca de Bridgerton não é um problema - Artigo

Lançada em pleno natal de 2020, a série “Bridgerton” da Netflix foi um verdadeiro presente para os espectadores, principalmente para aqueles que já eram fãs de longa data da coleção de livros de mesmo nome, de Julia Quinn. A expectativa vinha sendo aumentada desde o anúncio da produção e divulgação do trailer, o que resultou em 63 milhões de espectadores em apenas doze dias. Mesmo assim, o sucesso não é sinônimo de aprovação unânime.  Quanto ao roteiro, trilha sonora, direção, atuação, cenários e figurinos, não houveram grandes críticas. O alvo na verdade foi direcionado a escolha de elenco, em especial o protagonismo negro – inexistente nos livros, e mesmo assim, apoiado pela autora, que também faz participação no roteiro. Originalmente, o personagem Simon Basset é descrito com cabelos cheios e escuros, com destaque para os olhos azuis do duque, e na série é representado por René-Jean Page, além da Rainha Charlotte, inexistente nos romances originais, interpretada por Golda Rosheu...

Os “champagne problems” das irmãs March como mulheres no século XIX - Resenha

  Sometimes you just don't know the answer 'Til someone's on their knees and asks you "She would've made such a lovely bride What a shame she's fucked in the head, " they said But you'll find the real thing instead She'll patch up your tapestry that I shred Champagne Problems/Evermore - Taylor Swift Talvez haja um melhor jeito de começar uma resenha sobre a adaptação dos livros Mulherzinhas (1868) e Boas esposas (1869) para a produção audiovisual de Little Women (2020). Mas talvez essa outra forma não seja tão fiel aos sentimentos produzidos por ambas as narrativas no leitor, neste caso, espectador. Uma das músicas que compõem o último álbum lançado da cantora norte-americana Taylor Swift ( Evermore - 2020) é a canção Champagne Problems. O eu-lírico da produção denuncia um amor não correspondido, mas neste caso, que ela mesmo não correspondeu. Narrando uma história de amor que ela mesma frustrou, expõe o outro lado do romance que não deu certo, o...

Perdida na Cidade das Telas - Crônica

Foi em um dia chuvoso de julho que fui à Cidade das Telas para trazer à realidade as cenas que apenas passavam em minha mente. A leitura de um livro me faz viajar, e muitas vezes a sua adaptação cinematográfica me leva de volta para onde eu saí. Do zero. Como se nada tivesse lido. E a cada entrada no cinema é uma nova expectativa. Ora frustrada, outrora até que suprida. “Sala 8, final do corredor à direita”, era ali que eu descobriria se o meu livro preferido se tornaria em verdadeiras imagens reais.  John Green já tinha me cativado nas páginas, agora faltava nas telas. Na cidade dessas, eu fui desbravar as ruas da Cidade de Margot e Quentin. O dia de estreia, as fileiras do meio, visão exclusiva e cativa para presenciar cenas de aventura, ação e de um leve romance, assim como a história literária. Pipoca e refrigerante, ok. Ser surpreendida - missão falha. A cada pipoca colocada na boca era uma frase de indignação soltada. “Não, mas no livro eles não fazem assim”.  Conseguira...