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Mostrando postagens de novembro, 2022

O público hipócrita: a favor de novas narrativas, mas também de velhos costumes - Editorial

Adaptações cinematográficas para histórias originárias de livros acontecem há algumas décadas e não têm nem perspectiva de serem encerradas. Diante de novas produções, que podem ou não ser fiéis à narrativa que antes pertencia às páginas impressas, também há espaço para discutir o que, pela falta de espaço ou engajamento, deveria ter sido questionado há diversos anos.  Na edição deste bimestre, o Nota de Rodapé mais uma vez abre mão da admiração por livros, sagas e histórias para pensar as adaptações de nossos personagens preferidos para as telas de cinemas ou streamings. Seguimos admirando a novidade, mas sempre pensando nas adaptações de forma crítica.  No esperado artigo de opinião, esta edição do Nota de Rodapé discute Os quilos que Tiffy, de Teto para Dois, perdeu para entrar na tela da Paramount+. Pensar porque um streaming pouco aclamado decidiu tirar uma das principais características da protagonista de um romance clichê, em um momento que poderiam trazer um conteúdo d...

Os quilos que Tiffy, de Teto para Dois, perdeu para entrar na tela da Paramount+ - Artigo

  Reprodução: Instagram Editora Intrínseca “Teto para Dois”, da Beth O’Leary foi um dos meus 40 livros lidos de 2020, e terminou com uma avaliação cinco estrelas e mais livros da autora na minha lista de desejados. Casais reais são os que mais cativam, e nisso, Tiffy e Leon são especialistas. A comédia romântica é daquelas em que você sabe o final logo pela sinopse, mas se prende nos detalhes que te levarão até lá. Leon e Tiffy não se conhecem, mas dividem o apartamento (e a cama). Isso porque Leon é enfermeiro, e só usa a casa durante o dia, enquanto Tiffy está no trabalho, e aparece na residência somente pela noite. Enquanto você torce pelo encontro dos dois, que passam boa parte do romance trocando post-it engraçadinhos pela casa, a narrativa te dá espaço para conhecê-los individualmente. E apesar de Leon ser um ótimo personagem, bem mais profundo do que diversos outros mocinhos, precisamos falar sobre a Tiffy. Ela acabou de sair de um relacionamento longo e tóxico, e também do ...

O tordo em análise: uma resenha sobre a heroína de Jogos Vorazes - Resenha

Katniss Everdeen tem pele morena. Jennifer Lawrence não. De forma resumida, Jogos Vorazes (2012) não é um filme ruim. É um filme excelente. Com uma adaptação das 334 páginas do livro digna de tirar o fôlego. História igual. Cenas Iguais. Diálogos iguais. Adaptação da personagem principal diferente.  Não há muito o que explicar quando colocamos os fatos evidenciados de forma tão explícita: a trilogia de livros best-sellers nos anos 2010, com fãs e admiradores que perduram 12 anos depois do lançamento do primeiro filme, cuja coroa da “melhor adaptação cinematográfica” recai sobre a história da distopia de Panem, adaptou tudo de forma perfeita, menos a cor de pele da personagem principal.  Seria um erro infeliz? Um detalhe que ninguém prestou atenção? Ou não se falava sobre questões raciais em 2012? Independente dos meios, os fins chegam no mesmo lugar: Katniss Everdeen, a heroína da história de Jogos Vorazes é descrita como uma pessoa de cabelos lisos e escuros, pele morena e o...

Para todos os filmes que já assisti, mas não me surpreendi - Crônica

  Com o brigadeiro e a pipoca a postos, foi possível escutar o “tudum” da Netflix para mais um romance que, pela sinopse, era mais um clichê de adolescentes americanos, o oposto das páginas de Jenny Han. Na verdade, não o completo oposto, mas o completo omisso. Li uma sinopse que já passou a omitir a verdadeira mensagem que a criadora da história realmente queria passar. Escutei a abertura da plataforma uma, duas, três vezes, assim como abri as páginas do primeiro, segundo e terceiro livro da sequência de “Para todos os garotos que já amei”. Uma história de família que estava prestes a virar “apenas” uma história de amor. Jenny Han escreveu páginas e mais páginas de uma trilogia que retrata a vida de Lara Jean, a amizade linda que ela tem com as irmãs e o relacionamento invejável que ela tem com o seu pai. Foi no mesmo sofá que eu li toda essa história que eu estava prestes a assistir ela tendo a sua essência omitida. A cada cena passada era indignação e a fala de “cadê a profundid...