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O público hipócrita: a favor de novas narrativas, mas também de velhos costumes - Editorial

Adaptações cinematográficas para histórias originárias de livros acontecem há algumas décadas e não têm nem perspectiva de serem encerradas. Diante de novas produções, que podem ou não ser fiéis à narrativa que antes pertencia às páginas impressas, também há espaço para discutir o que, pela falta de espaço ou engajamento, deveria ter sido questionado há diversos anos.  Na edição deste bimestre, o Nota de Rodapé mais uma vez abre mão da admiração por livros, sagas e histórias para pensar as adaptações de nossos personagens preferidos para as telas de cinemas ou streamings. Seguimos admirando a novidade, mas sempre pensando nas adaptações de forma crítica.  No esperado artigo de opinião, esta edição do Nota de Rodapé discute Os quilos que Tiffy, de Teto para Dois, perdeu para entrar na tela da Paramount+. Pensar porque um streaming pouco aclamado decidiu tirar uma das principais características da protagonista de um romance clichê, em um momento que poderiam trazer um conteúdo d...

Os quilos que Tiffy, de Teto para Dois, perdeu para entrar na tela da Paramount+ - Artigo

  Reprodução: Instagram Editora Intrínseca “Teto para Dois”, da Beth O’Leary foi um dos meus 40 livros lidos de 2020, e terminou com uma avaliação cinco estrelas e mais livros da autora na minha lista de desejados. Casais reais são os que mais cativam, e nisso, Tiffy e Leon são especialistas. A comédia romântica é daquelas em que você sabe o final logo pela sinopse, mas se prende nos detalhes que te levarão até lá. Leon e Tiffy não se conhecem, mas dividem o apartamento (e a cama). Isso porque Leon é enfermeiro, e só usa a casa durante o dia, enquanto Tiffy está no trabalho, e aparece na residência somente pela noite. Enquanto você torce pelo encontro dos dois, que passam boa parte do romance trocando post-it engraçadinhos pela casa, a narrativa te dá espaço para conhecê-los individualmente. E apesar de Leon ser um ótimo personagem, bem mais profundo do que diversos outros mocinhos, precisamos falar sobre a Tiffy. Ela acabou de sair de um relacionamento longo e tóxico, e também do ...

O tordo em análise: uma resenha sobre a heroína de Jogos Vorazes - Resenha

Katniss Everdeen tem pele morena. Jennifer Lawrence não. De forma resumida, Jogos Vorazes (2012) não é um filme ruim. É um filme excelente. Com uma adaptação das 334 páginas do livro digna de tirar o fôlego. História igual. Cenas Iguais. Diálogos iguais. Adaptação da personagem principal diferente.  Não há muito o que explicar quando colocamos os fatos evidenciados de forma tão explícita: a trilogia de livros best-sellers nos anos 2010, com fãs e admiradores que perduram 12 anos depois do lançamento do primeiro filme, cuja coroa da “melhor adaptação cinematográfica” recai sobre a história da distopia de Panem, adaptou tudo de forma perfeita, menos a cor de pele da personagem principal.  Seria um erro infeliz? Um detalhe que ninguém prestou atenção? Ou não se falava sobre questões raciais em 2012? Independente dos meios, os fins chegam no mesmo lugar: Katniss Everdeen, a heroína da história de Jogos Vorazes é descrita como uma pessoa de cabelos lisos e escuros, pele morena e o...

Para todos os filmes que já assisti, mas não me surpreendi - Crônica

  Com o brigadeiro e a pipoca a postos, foi possível escutar o “tudum” da Netflix para mais um romance que, pela sinopse, era mais um clichê de adolescentes americanos, o oposto das páginas de Jenny Han. Na verdade, não o completo oposto, mas o completo omisso. Li uma sinopse que já passou a omitir a verdadeira mensagem que a criadora da história realmente queria passar. Escutei a abertura da plataforma uma, duas, três vezes, assim como abri as páginas do primeiro, segundo e terceiro livro da sequência de “Para todos os garotos que já amei”. Uma história de família que estava prestes a virar “apenas” uma história de amor. Jenny Han escreveu páginas e mais páginas de uma trilogia que retrata a vida de Lara Jean, a amizade linda que ela tem com as irmãs e o relacionamento invejável que ela tem com o seu pai. Foi no mesmo sofá que eu li toda essa história que eu estava prestes a assistir ela tendo a sua essência omitida. A cada cena passada era indignação e a fala de “cadê a profundid...

A nota das notas - Editorial

A nota de rodapé usualmente serve para explicar melhor algum termo do texto que estamos lendo. Mas quando o texto em si é apresentado em formato audiovisual, como ler o que não aparece em tela?  A resposta para isso surge no formato de blog. Muito mais do que alguns tweets soltos na internet, como jornalistas, nós precisávamos dar voz a nossas próprias impressões sem nenhum limite de caracteres. E além disso, sem as barreiras que o jornalismo costuma criar ao pedir objetividade em cada matéria.  O jornalismo de entretenimento por si só tende a opinião, porque como escrever uma resenha sem de fato analisar o que me agrada em um filme? Aderir aos nossos gostos e desgostos foi nossa tarefa nesse blog, e para isso, começamos com o que nos cativou primeiro: a literatura.  Jornalistas são devoradores de livros, mas cá entre nós, nossas melhores escolhas não são consideradas tão cultas e eruditas assim. Depois de um certo preconceito literário, elas ganharam as telas e mai...

Porque a aristocracia não tão branca de Bridgerton não é um problema - Artigo

Lançada em pleno natal de 2020, a série “Bridgerton” da Netflix foi um verdadeiro presente para os espectadores, principalmente para aqueles que já eram fãs de longa data da coleção de livros de mesmo nome, de Julia Quinn. A expectativa vinha sendo aumentada desde o anúncio da produção e divulgação do trailer, o que resultou em 63 milhões de espectadores em apenas doze dias. Mesmo assim, o sucesso não é sinônimo de aprovação unânime.  Quanto ao roteiro, trilha sonora, direção, atuação, cenários e figurinos, não houveram grandes críticas. O alvo na verdade foi direcionado a escolha de elenco, em especial o protagonismo negro – inexistente nos livros, e mesmo assim, apoiado pela autora, que também faz participação no roteiro. Originalmente, o personagem Simon Basset é descrito com cabelos cheios e escuros, com destaque para os olhos azuis do duque, e na série é representado por René-Jean Page, além da Rainha Charlotte, inexistente nos romances originais, interpretada por Golda Rosheu...

Os “champagne problems” das irmãs March como mulheres no século XIX - Resenha

  Sometimes you just don't know the answer 'Til someone's on their knees and asks you "She would've made such a lovely bride What a shame she's fucked in the head, " they said But you'll find the real thing instead She'll patch up your tapestry that I shred Champagne Problems/Evermore - Taylor Swift Talvez haja um melhor jeito de começar uma resenha sobre a adaptação dos livros Mulherzinhas (1868) e Boas esposas (1869) para a produção audiovisual de Little Women (2020). Mas talvez essa outra forma não seja tão fiel aos sentimentos produzidos por ambas as narrativas no leitor, neste caso, espectador. Uma das músicas que compõem o último álbum lançado da cantora norte-americana Taylor Swift ( Evermore - 2020) é a canção Champagne Problems. O eu-lírico da produção denuncia um amor não correspondido, mas neste caso, que ela mesmo não correspondeu. Narrando uma história de amor que ela mesma frustrou, expõe o outro lado do romance que não deu certo, o...